Tecnologias da Floresta: ciclagem de nutrientes

Você que já passeou por um bosque ou floresta, certamente deve ter percebido que o solo destes ambientes é coberto de matéria orgânica. Folhas, galhos, árvores e até mesmo animais que encerram seu ciclo natural da vida acabam por se dispor por ali, se tornando grandes fontes de nutrientes após sua decomposição. Lembre-se que na natureza nada é perdido!

Esse processo é conhecido como “ciclagem de nutrientes”, que em outras palavras que dizer uma troca contínua de substâncias essenciais para a vida, que acontece do solo para as plantas, e vice-versa. Em uma interdependência dinâmica, as árvores e plantas retornam ao solo o que foi “consumido” para seu desenvolvimento e, depois disso, por meio do fluxo da energia, acabam recebendo de volta essa ajudinha extra.

Na agrofloresta, há uma tendência de aproximação dessa tecnologia através de algumas técnicas de poda, pulsão e cobertura do solo (conceitos que vamos abordar melhor em outras ocasiões). Basicamente, são ações constantes que visam o desenvolvimento integral dos sistemas, estimulando o crescimento e a troca de nutrientes entre as espécies.

O cultivo consorciado, que combina uma diversidade de espécies, também faz sua contribuição para a ciclagem de nutrientes. Por garantir diversidade de raízes em tamanhos, profundidade e disposição, o cultivo consorciado contribui para que os nutrientes das camadas mais profundas do solo sejam disponibilizados para as plantas, que irão, no momento seguinte, devolve-los para a superfície do solo através da queda de folhas e galhos, fechando o ciclo!

Porém, aliado a todas essas técnicas, existe um conceito muito importante e que deve ser aplicado a todas as tecnologias da floresta: a função do ser humano como agente potencializador do sistema. Isso quer dizer que ele é mais que espectador e sim um dinamizador e aperfeiçoador dos processos naturais. Através de ações como as citadas acima, ele tem o poder de maximizar o desenvolvimento e o fluxo de energia e aproximar cada vez mais nossos sistemas agrícolas de acordo com o ecossistema natural local.

Vemos, portanto, ações no sentido oposto às da agricultura moderna, que tenta adaptar plantas e ecossistemas às necessidades da produção e do mercado.

Você pode ver as duas primeiras publicações sobre as Tecnologias da Floresta aqui e aqui.