Por dentro dos projetos do Instituto Toca: Construindo hortas

Em 2016, iniciamos um projeto em parceria com a Escola Municipal Dulce, o Projeto Rede. Nosso intuito é o de promover um processo de inovação, por meio de propostas de desenvolvimento integral com foco em alfabetização ecológica.

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Quando chegamos à escola, realizamos algumas reuniões junto à comunidade escolar e, na ocasião, surgiram propostas de oficinas voltadas tanto para o contato com a natureza como para a criação de espaços educativos que fossem, de fato, sustentáveis. A partir daí, começamos a construir jardins comestíveis e horta agroflorestal com o objetivo de promover uma conexão entre os alunos e espaços verdes vivos. E para tentar entender as características do espaço, do clima e da qualidade do solo para essas hortas contamos com a ajuda da ecóloga Tainara de Proença Nunes, que faz parte da equipe de formadores do Projeto Rede.

“Mais do que construir um jardim comestível e uma horta saudável e produtiva que ofereça alimentos orgânicos ao alcance de todos da escola, entendemos que o processo de construção também traz benefícios à saúde, auxilia na compreensão dos ciclos da vida e contribui para o desenvolvimento da habilidade de cuidar e respeitar a natureza, assim como o cuidado com as pessoas ao redor” afirma Tainara.

Todo lugar tem suas características, seus pontos fortes e fracos, que devem ser consideradas. A escola Dulce, por exemplo, fica localizada em um bairro que ainda está em construção e, por essa razão, é comum encontrar quantidades enormes de entulho no local. Ao invés de ignorar e descartar esse material, reaproveitamos tudo que o local oferece e produz, de acordo com suas condições. O que antes era visto como lixo pode virar material para a construção de um jardim comestível e de uma horta orgânica.

Outro ponto essencial para a criação desse espaço é a qualidade do solo. Ao começar uma horta, devemos nos certificar que aquele solo está em boas condições para produzir. A primeira característica a ser observada é a coloração: quanto mais escura estiver a terra, maior quantidade de matéria orgânica ela tem e mais viva ela está. Entretanto, quando a terra está com a coloração clara ou avermelhada e arenosa – que ao pegar na mão você sente escorrer entre os dedos – significa que será necessário a preparação e regeneração desse solo para que, um dia, seja possível plantar. “Para preparar o solo, é sempre bom abastecer o local com matéria orgânica e cobrir o solo com folhas secas, assim evitamos a perda de umidade. Aos poucos, esse material se decompõe e traz cada vez mais vida para a terra”, explica a Ecóloga.

Feito isso, partimos para a escolha das plantas e a disposição de cada uma delas. Na escola Dulce, por exemplo,
fizemos uma espiral de ervas, um formato de horta que imita os padrões de forma da natureza e torna o espaço mais produtivo e funcional porque reúne diversas das interconexões que podemos observar nos ambientes naturais em um único elemento. Na espiral de ervas é possível criar microclimas e plantar diferentes espécies em um mesmo terreno, respeitando a característica de cada uma delas e otimizando o espaço.  No alto do espiral, o ambiente normalmente é mais seco e ensolarado, enquanto a parte de baixo é mais úmida, ideal para plantas como a hortelã.

Além das plantas convencionais, temos uma horta de PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais) para introduzir na alimentação daqueles que habitam a escola novos sabores e valorizar alimentos que antes eram consumidos e hoje não são mais. Na Escola Dulce por exemplo, foram plantados taioba, inhame, açafrão, peixinho, hibisco, azedinha, enfim, uma multiplicidade de plantas e alimentos.

Quer conhecer mais sobre nosso trabalho com a Escola Municipal Dulce? Leia aqui.